INFÂNCIA, INÍCIO DE TUDO (PARTE II): DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Se existe algo capaz de usurpar aos seres humanos a prática de sua necessidade mais básica (e quase tão antiga quanto o próprio homem), a socialização através do contato físico, isso se chama tecnologia. Os computadores, internet, plataformas móveis, redes sociais e jogos eletrônicos tornaram-se ferramentas de uso amplo e irrestrito, transformando-se em fenômenos mundiais da sociedade contemporânea. Algumas delas, inclusive revertendo-se em instrumentos de trabalho indispensáveis nos dias de hoje.

Com o advento da internet, a forma de relacionamentos e socialização entre os seres foram modificadas. Abraços, contato físico e interação foram quase que substituídos pelas relações virtuais. Eis que surgem neste cenário, as Redes Sociais, atendendo a um dos maiores desejos do homem, fazer parte, sendo os ambientes de socialização virtuais considerados o acontecimento mais impactante na sociedade desde a revolução industrial.

Neste boom de modernização das tecnologias, que, se bem utilizadas, tendem a contribuir em diversos aspectos, como na globalização e instantaneidade das informações, aproximação de indivíduos antes separados por distâncias geográficas ou mesmo na agilidade e possibilidades infinitas como agente facilitador nos processos de trabalho e educação. Não podemos negar os diversos benefícios que nos foram imputados concomitantes ao crescimento tecnológico.

Entretanto, anexo também a esta eclosão, obtemos diversos aspectos sociais negativos, tanto que, a partir de 1990 começam a surgir os primeiros casos de tratamento para transtornos da internet (ainda existem pesquisas sendo realizadas visando classificar ou não o transtorno como doença psíquica).

O transtorno pode ser observado mediante alguns aspectos apresentados por indivíduos que passam a maior parte do seu tempo em frente ao computador, como:

  • Utilização da rede para eliminação de ansiedade (substituindo totalmente outras atividades, como prática de esportes, leitura de um bom livro, programas ao ar livre, por exemplo);
  • Depressão;
  • Alterações de humor (principalmente se está ligado à privação momentânea do uso da tecnologia);
  • Insônia;
  • Irritabilidade;
  • Diminuição excessiva ou ausência de contato social real, causando isolamento.

Existe uma teoria estudada mediante o surgimento deste transtorno, chamada Teoria da Compensação, que defende que um indivíduo dependente da tecnologia pode procurar compensar algo que falta em sua vida real, como uma afirmação da sua própria identidade, reforço de uma autoestima não encontrada fora da rede, ou mesmo, buscar uma vida social que ele não consegue estabelecer na vida real, já que, geralmente, os dependentes tecnológicos têm dificuldade em estabelecer uma relação íntima com outros indivíduos. Inclusive pesquisas indicam que após dois anos de uso excessivo resulta-se em uma diminuição brusca da comunicação e interação familiar.

A tecnologia é vista muitas vezes como um escape psíquico que distrai o indivíduo em momentos difíceis da vida, e isso pode acontecer com qualquer um de nós. Não necessariamente resultando em um transtorno de comportamento, mas aliado a outras pré-disposições, como tendência a depressão, por exemplo, pode ser um perigo iminente, sobretudo no período da infância e adolescência, quando o nível de discernimento destas questões é menor que a de um adulto.

Particularmente eu tinha uma visão bem radical a um tempo atrás em relação à tecnologia. Minha filha de seis anos me pede um tablet a um tempinho já, e praticamente todos os amiguinhos dela já tem. Hoje mudei um pouco essa postura radical, vejo que a tecnologia pode também ser uma ferramenta educativa, tudo depende de como colocamos essa questão aos nossos filhos e dos limites que impomos. Sem dúvida, a tecnologia mal utilizada hoje por crianças é a maior vilã da extinção da infância no pleno sentido da palavra.

Para terminar quero dar mais uma dica de leitura: um texto muito bom publicado essa semana no blog Manifesto, de um amigo e estudante de jornalismo, Marcos Furtado, que faz uma retrospectiva histórica bem bacana em relação à infância. Vale a pena conferir.

O link é:

https://www.facebook.com/manifestopublico/photos/a.490036294429824.1073741828.489988757767911/555494094550710/?type=1&theater

Beijos e até a próxima.

Priscila Silva.

Blog: Trocando Ideias

Fan Page: https://www.facebook.com/blogtrocandoideias?fref=ts

37 thoughts on “INFÂNCIA, INÍCIO DE TUDO (PARTE II): DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA”

  1. Leila, isso acontece comigo também. preciso sempre estar conectada, e esse é um problema para nós impormos limites a eles. Às vezes precisamos nos desconectar mesmo!!

    Beijos!!

  2. Aqui em casa libero o pc somente no fim de semana. Mesmo para que eles brinquem e interajam entre eles. Mais aqui sinto uma necessidade grande de estar sempre on. Mais quando percebo que estou exagerando me desligo completamente por 3 ou mais dias.
    Beijos

    1. Andreia, assim como você também uso a tecnologia para me comunicar com várias pessoas e realmente isso é a melhor parte!! Mas estamos falando de dependência e tem gente que simplesmente substitui a vida real pela virtual, aí a coisa complica. Sem contar com os malefícios que o uso exarcebado pode causar a um adulto, que dirá a uma criança!! Mas concordo com você, que bem utilizada, é sim uma excelente aliada!!

      Obrigada pela participação. Beijos!!

    1. Jamilly eu também adoro!! Então tenho que tomar certos cuidados aqui em casa até porque trabalho muito com a tecnologia. Carol também ama, mas sempre que posso procuro oferecer um livrinho e outros brinquedinhos como alternativa!!

  3. sempre acreditei que tudo demais não presta
    muito menos a tecnologia
    tudo demais vira dependência
    e com isso acarretam varias
    doenças, a tecnologia trás sim benefícios
    mas na medida
    do possível

    linda noite bjs

  4. Ai amiga, vc falou tudo, a tecnologia tem seus benefícios, e quanto a isso, não podemos negar…
    Graças as redes sociais, a gente pode ir a qualquer canto do mundo e se comunicar…
    Mas essa mesma tecnologia, tem afastado as pessoas que estão próximas e causado até problemas, como vc mesma citou…
    Aqui em casa o Vitinho usa bem pouco, graças a Deus…
    Bjs
    Ju
    Mãe Sem Fronteiras.

    1. Leteia, comecei a pensar nos jogos educativos mesmo. Aqui a minha ainda não tem, mas já mudei de postura e vou dar um a ela, mas com muito receio e cuidado. Não quero que ela fique dependente disso como nós, adultos, já somos!! Crianças tem que brincar e se sujar, cair, dar risadas com os coleguinhas, não acha?

      Beijos!!

  5. Isso também é uma coisa que acabamos dando exemplo .. mesmo que errado ..temos nossos compromissos com blogs etc e as vezes eles percebem nossa dependência e devoção ao computador etc … por isso tenho diminuído ou ao menos tentar deixar o tempo que ela tem em casa pra ficar com ela ..

    ?*´¨)*
    ¸.•*¸.• ?´¨).• ?¨)
    (¸.•´*(¸.•´ Roberta Aquino
    <a href="http://www.talmaetalfilha.blog.br//&quot; Tal Mãe, Tal Filha Blog

    1. Shairane, verdade. Até pra nós é difícil né? CArol também ama, mas não deixo ela muito tempo e tento incentivá-la a brincar com outras coisas também. O problema nem é a tecnologia, mas o uso excessivo dela.

      Beijos!!

  6. Amiga acho esse tema super pertinente. Vejo a Lara. Tinhamos um iPad, ainda um I em casa, e deixamos pra ela assistir os desenhos. Hoje, com dois anos ela é vidrada. Sabe ligar, escolhe o que quer assistir ou jogar e chora se tiramos dela.

    Mas acho que tem que ser tudo ponderado e ela esta passando dos limites.

    1. Ariane, com dois anos ainda dá tempo de corrigir essa “dependência”. Acho que se passar mais tempo fica mais difícil. Eu mostraria outros tipos de diversão com ela e brincaria junto… ela vai perceber o quanto é divertido.

      Beijos!!

  7. é muito preocupante mesmo isso, apesar de ajudar com jogos educativos coisa e tal, estam cada vez mais interditos com celular, computador, tabletes… por aqui sempre to de olho e fica pouco quase não deixo
    Bjinhos

    mamaenathan.blogspot.com

    1. É isso Gisele, foi essa a reflexão que fiz em relação à Carol. A tecnologia está aí e realmente não podemos aniená-la. O problema é tranferir toda diversão, bem-estar das crianças à ela. Tem crianças que não brincam mais, não leêm historinhas, não andam de bicicleta e passam o dia todo em tablet, computador, celulares. Isso é triste!!

  8. Nossa que post, até ontem eu estava falando pro meu marido na minha época no dia das crianças agente ganhava boneca, carrinho, pião. A diversão era brincar de casinha pega-pega, esconde-esconde, queimada etc…
    Mas hoje as coisas estão totalmente diferente, você vê crianças de 3 anos brincando com Tablet, meninos o tempo todo no Facebook, vídeo game. As crianças hoje estão perdendo a infância por tecnologia, é triste isso. Bjss

  9. Amiga, excelente reflexão e complementa o texto que vc sugeriu e que fui conferir.
    Nos tornamos dependentes da tecnologia, das redes sociais… nossa é um vício.
    Assim como estar conectado pode ser bom demais e bem proveitoso, assim tb tem seus malefícios, esses dias estou sem internet durante o dia e pra completar o cel quebrou… percebi que sou super dependente… horrível estar off, mas esses momentos servem pra refletirmos em nossas escolhas e ações.
    bjs

    1. É verdade Cris. O que me preocupa é que as crianças estão tendo um uso desenfreado disso cada vez mais cedo, e esses trantornos citados são reias. Se não impomos limites a elas, sofreram essas consequencias mais tarde!!

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